Man Ray, A Moda e o Surrealismo

Célia Mello

Introdução

Man Ray, cujo nome de batismo era Emmanuel Radnitsky, nasceu em 1890, na Filadélfia, Pensilvânia. Em 1897 sua família mudou-se para o Brooklyn, Nova Iorque, onde começou a entrar em contato com o mundo das artes.

Nova Iorque foi essencial para sua formação artística. Em 1913 se formou em Desenho Industrial, e passou a pesquisar vários materiais, aplicando-os à pintura. Aqui seria o começo de sua paixão pela escultura e pela execução de trabalhos que compreendiam a junção de objetos do cotidiano.

Começou a freqüentar a galeria 291, do grupo Foto-Secessão do fotógrafo Alfred Stieglitz (1864-1946), passarela de artistas e público e também campo de batalha para novas idéias na arte e liberdade de criação. Esse grupo defendeu “o Abstracionismo e as possibilidades bem distantes dos códigos do real” (1) e trouxe para Nova York artistas da arte moderna européia, como Rodin, Matisse, Cézanne, Picasso e Brancusi, entre outros. Na verdade, eles fizeram um intercâmbio cultural entre artistas americanos e europeus. Man Ray comenta sobre os pintores americanos: “Pareciam muito americanos e lhes faltava o mistério que eu sentia nos trabalhos importados” (2).

A estadia de Man Ray em Nova Iorque foi muito proveitosa, pois lá conheceu os trabalhos de Marcel Duchamp e Picabia. Assim, iniciou-se no movimento Dadá colaborando para a revista New York Dada. Contudo, sua amizade com Duchamp foi decisiva para sua formação cultural, e eles se tornaram amigos e cúmplices até a morte do artista francês em 1968.

Man Ray comprou sua primeira câmera fotográfica em 1914, pois necessitava fazer cópias de suas pinturas para a imprensa e para os colecionadores. Então, em vez de pagar pelas cópias, resolveu comprar uma câmera. Ele e Duchamp começaram a registrar fotografias que imortalizassem as ações do Dadá, e estas se tornaram um meio de subsistência, pois ele começou a fazer retratos ou fotografias das obras de outros artistas. A partir de então, começou a trabalhar a pintura com as técnicas de laboratório.

A genialidade de Man Ray fez com que se tornasse um artista eclético. Aliás, como mostra Georgia de Andrade Quintas, ele foi um ser onírico, lúdico e diáfano com suas criações; lidava com o inconsciente e o consciente nas fotografias, enquadrando-se em qualquer estilo. Porém, foi reconhecido como um dos principais fotógrafos dos movimentos Dadá e Surrealismo.

O talento de Man Ray envolvia a pintura, a escultura, a fotografia, objeto-maker e cinema. Sua contribuição nessas áreas foi muito importante para o desenvolvimento artístico da época.





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